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Política e ética no Brasil - Valter Viana

08/05/2007
 
Estamos vivendo um grave momento político e ético, no qual pessoas trocaram a bela vocação política, que é arte do bem servir, pelos interesses particulares ou de grupos partidários. Quero dizer que neste momento não podemos ficar paralizados. A falta de ética na política é uma agressão, uma negação dos princípios fundamentais da democracia, ferindo nossas instituições republicanas e atingindo diretamente a todos os cidadãos e cidadãs que democraticamente escolheram seus representantes na esperança que os mesmos o representem com dignidade e responsabilidade, o que não é realidade hoje. Nós que temos o mandato precisamos ter a consciência de que ele não nos pertence e muito menos que somos donos, pois foi o povo que nos designou construtores da república e da democracia. Temos que entender que o povo é originário do cargo que exercemos e que tanto podem desconstituí-los como reconstituí-los.

O momento exige de nós muita coragem, é hora de reafirmarmos e fortalecermos o princípio constituinte da cidadania ativa para que a solução da crise política não venha de cima para baixo, sendo exclusividade dos bastidores do Congresso Nacional. O povo tem que participar com ousadia, determinação e coragem, por que podemos transformar a crise política e ética em uma democracia ainda mais forte e profunda, pois o nosso grande desafio neste momento é fazer avançar a democracia.

Com a eleição do presidente Lula, o povo decidiu por mudanças profundas, era o sonho de um enfrentamento corajoso na política neoliberal, o fim das alianças conservadoras, a prioridade na busca por políticas públicas que incluisse homens e mulheres no convívio da sociedade. Esperávamos reforma agrária, distribuição de renda, o fim dos grandes lucros dos banqueiros. Na realidade pouca coisa mudou com o governo do PT e a decepção é generalizada.

A esperança que venceu o medo inverteu-se, o medo apavora aqueles que ainda tem esperança, mas o sonho não pode acabar, precisamos continuar a luta e é preciso caminhar e organizar o povo, colocando-o em marcha para que o sonho de construir um país nos princípios e valores da democracia não pare, mas nos contagie com uma energia nova, a mesma que nos trouxe até aqui.

A crise política e ética nos coloca um grande desafio, o de separar o joio do trigo. É preciso avançar nas denúncias de corrupção que estão sendo analisadas no Congresso Nacional e punir todos os envolvidos, é preciso excluir do governo todas as autoridades que estejam sob suspeita.

A política econômica também precisa de mudanças e é preciso adotar um novo modelo de desenvolvimento que distribui renda e gera riqueza para todos. A sociedade não suporta mais uma das mais altas taxas de juros do mundo, não é possível mais sustentar este superáfit primário que beneficia somente os banqueiros e o agronegocio. Os recursos públicos tem que ser investido na garantia de direitos básicos do cidadão.

É preciso fazer acontecer uma reforma política ampla a partir da participação da sociedade, que centralize as discussões no fortalecimento da democracia, na fidelidade partidária, no financiamento público e exclusivo de campanha, na transparência do funcionamento partidário, nas listas fechadas, consulta popular mediante plebiscitos e referendos, enfim, o fim da cláusula de barreira. Enfim, uma reforma que aprofunde um novo modelo político partidário para o Brasil.

O nosso desejo no PHS e deste vereador, é que após tudo isso possamos sair fortalecido e com a esperança renovada para continuar a luta pelos direitos humanos, pela ética na política, pela participação popular, por um país soberano e sem interferência nas nossas riquezas e na nossa liberdade.

Mas nem tudo esta perdido, é preciso confiar. Fortalecer as instituições democráticas, para que o Brasil através da sociedade organizada e dos governantes, possa proporcionar ao povo brasileiro a garantia de viver em uma sociedade mais justa e humana.


VALTER VIANA
Vereador e Presidente da Comissão Extraordinária
dos Direitos Humanos e Cidadania da
Câmara Municipal de Maringá.

 
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